sábado, 6 de junho de 2015

Homenagem ao meu amigo

Obrigado amigo por ter me escolhido.
Sim, foi você me que escolheu e não eu. Naquele dia Deus me colocou naquele evento para te conhecer, e você entre a sua mãe pitucha e suas irmãzinhas, era você que vinha em minha direção, brincar e ficar perto de mim. Se eu já estava propenso a pegar um cão naqueles dias, eu com o meu lado racional não faltou também a presença naquele evento de uma veterinária para me dar as informações que solicitei e assim o caminho se abriu...


Você trouxe vida a nossa casa, o que me deixou realizado e me trouxe alívio.


Você protegeu a nossa casa e vizinhança quando tinham poucos moradores nas casas vizinhas. Você nos deu alegria e felicidade.


Lembro de um post de um amigo na qual ele expressou a perda do seu amigo também. Isso me inspirou a lhe escrever e homenageá-lo dessa forma também.


Eu conversava com você coisas que parece que conversamos com Deus. Todas as preocupações com a casa, com os pais, a carreira/ trabalho,desilusões amorosas, haa essas, parece que só você estava comigo em cada uma delas...
e também as conquistas, os aprendizados, as alegrias e as felicidades.


Te tanto amor que eu e meus pais e o Darcio lhe demos, Deus me deu o conforto agora no final para que nós, eu estivesse do seu lado nesses últimos dias como você, lindos! Um lindo dia de sol ontem!
Esse foi o por do sol sobre a nossa casa no dia que você se foi amigão.

Você foi muito forte, não só pelo seu porte físico e postura, sua doença nos entristecia, nos deixava aflitos e nos envelheceu mas, hoje entendo o propósito de tudo isso. Você foi um forte, com vontade de viver, para nós de casa nos mostrou isso, e para quem soube da sua história também.
Você foi forte o tempo todo, a quase dois anos o coração apertado com suas quase 30 convulsões em um dia, ficar inconsciente por três dias, sedado e engaiolado em um hospital veterinário, no terceiro dia até alguns veterinários já não conversavam com esperança. Você ressurgiu!! Força!! 

Voltando pra casa e aqueles dias, noites e madrugadas você lutava para se levantar e nós estávamos lá para te levantar, limpar e tudo mais...
Foi a primeira vez que chorei por você quando entre as minhas obrigações e o muito peso para os pais eu pensei que teríamos que lhe sacrificar mas você... naquele dia, eu já estava no trabalho daquele jeito, exausto emocionalmente e algo mais... um telefonema da minha casa, o coração apertou mais, e minha mãe disse, Duda... o Thor levantou sozinho e está andando...
Você foi um forte!! nos deu essa lição, de mesmo quando achamos que pode ser o fim, não é! Só Deus é quem sabe disso, divindade! Não sabemos nada e nunca devemos desistir mesmo.
Como eu mesmo sentia naqueles dias, o coração apertado mas eu tinha fé e um confiança lá no fundo!!! https://www.facebook.com/elopesdu/posts/10151578378480592
Você foi forte, sempre lutador e forte !

Minha gratidão e pensamento na brevidade das coisas e vida.
Um cão é o melhor amigo do homem como dizem, sim é!!



Com muita e forte emoção, minha gratidão!

Obrigado, Valeu amigão!!


Minha gratidão também a todos que gostaram dele, ajudaram-nos, cuidaram dele. Talvez eu cometa alguma injustiça, me perdoem se me esqueço agora nesse momento.
Meus pais ao Dárcio que cuidaram dele com muito amor, ao Eric, a querida Nadia e o Valter, aos veterinários da Hovet, Da Dra Monica e Rogerio, Hospital 4 patas, hospital Dr. Hato de Santo André em especial ao Doutor Roberto Siqueira e Fabiana Monti, a Doutora Simone da Provet/Hovet, a Germana, o Nilson, Dra. Cinthia e Luciano, a Tania e Elina da Naya.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Viajar é preciso













Vou usar aqui uma parte de um texto sobre viagem. Graças a Deus, mais uma vez sai para um novo lugar e um lugar de natureza linda e exuberante.
Fiz a tríade das Chapadas mais conhecidas do Brasil, Diamantina, veadeiros e agora a Chapada dos Guimarães em Mato Grosso. De quebra conheci a rodovia traspantaneira cerca de 60 a 70 Km adentro depois de Poconé - MT e ainda Nobres onde fiz flutuação.

Segue a frase:
Segundo o navegador brasileiro Amyr Klink, que já deu a volta ao mundo em seu barco, o homem precisa viajar. Para ele, é necessário viajar a lugares que não se conhece para "quebrar a arrogância que faz com que as pessoas vejam o mundo da forma como imaginam, e não simplesmente como é ou pode ser".

Mas viajar não é somente quebra de estereótipos. Também é sinônimo de aventura, conhecimento, integração e muitas vezes, um exercício de respeito ao diferente.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

BARCELONA, 5 DE JULHO DE 1982

BARCELONA, 5 DE JULHO DE 1982


Foi essa copa que me fez amar o futebol, um pouco antes eu já estava entendendo as regras e jogava futebol nas quadras, campinhos e até na rua com os amigos do bairro.
Eu e meus amigos montamos um time onde cada um de nós "representava" um dos jogadores da seleção da copa de 1982 (eu era o falcão).

Foi nessa copa que eu ganhei a minha primeira camisa de uma equipe de futebol, meus pais me compraram, com um esforço danado, uma camisa da seleção de 1982 (Igual ao do menino da foto que eu publico aqui).

Naqueles dias de jogos do Brasil era uma festa só, eu me lembro do céu infestado de tantos balões. Eram dias diferentes.

Da minha casa, em São Caetano do Sul, eu avistava o bairro Campestre em Santo André e via toda a festa que acontecia daquele lado, tal como no lado do meu bairro, aquilo tudo nos enchia de alegria, de motivação, de energia, eram festas sem distinção de clubes, raça, credo, adultos, crianças ou o que fosse.

Após os jogos saíamos na rua jogando bola, correndo atrás de balões que caiam, voltávamos para jogar mais um pouco e assim seguíamos até a noite.

Antes de 05 de julho de1982 eu me lembro de que os mais velhos diziam; A Itália não é mais forte que o Brasil também... então eu não imaginava que aquilo fosse acontecer, eu tinha 11 anos de idade.

Mas veio a derrota, tivemos uma interrupção de toda aquela alegria, ficamos chocados, atônitos. Não teve jogo na rua depois, não corremos atrás de balões, eu e outros amigos não sabíamos o que fazer. Eu cheguei a perguntar então quando seria o próximo jogo daquela seleção, quando começaria a próxima copa do mundo? Alguns pediram para tirarmos a camisa da seleção, eu assim o fiz, joguei no chão e pisoteei-a sem saber que a minha mãe estava vendo aquilo, depois ela me repreendeu com tristeza (meus pais compraram quase sem poder, custou caro àquela camisa) e percebi naquele instante que essa paixão futebol, seleção não é maior que certas coisas da vida.

É com nostalgia que me lembro daqueles dias, daquela época, basta ler um texto sobre aquele jogo ou ver um daqueles jogadores da nossa seleção em entrevistas na televisão ou simplesmente escutar certas musicas daquele 1982 e estar em condições de refletir um pouco para sentir essa nostalgia.

A foto anexa (fiquei sabendo, por acaso, que foi muito premiada) reflete o choque que foi aquela derrota mas...

Vivemos, vivamos as coisas boas da vida como essa nostalgia.






sábado, 1 de agosto de 2009

Carros

Os que me conhecem bem sabem;


Eu gosto muito de automóveis, de automobilismo, de esportes em geral. Hoje eu trabalho no ramo automobilístico, mas de um tempo para cá e desde que eu comecei a trabalhar nesse ramo (talvez um pouco antes até) eu comecei a achar algumas coisas estupidas.

Eu sempre assisti e até sonhei fazer parte desse mundo que é a F1 (claro que o primeiro sonho foi ser um piloto campeão), eu acompanho sempre que posso as corridas e notícias. Nunca me dei conta de algumas coisas que de uns anos para cá eu ando falando (me causam estranheza) nos bate papos e nas rodas de amigos.

A F1 é uma estupidez...

é barulhenta, é antiecológica (quantos litros só de combustível consomem esses carros? Quanto de barulho um carro só gera quando o motor está ligado?). Na formula 1 gira muito dinheiro para poucos. E para assistir o espetáculo em Interlagos então? Tem que juntar muito dinheiro para comprar um ingresso, pelo que vi nos últimos anos de F1 em Interlagos, a maioria é convidada (entra de graça), bancado por empresas patrocinadoras. Se não tiver ninguém conhecido do ramo ou empresa patrocinadora fica de fora ou paga os olhos da cara. Eu fui a alguns grandes prêmios de F1 em Interlagos, mas fui como convidado quando nem imaginava mais que um dia iria assistir ao vivo um grande premio.

Eu gosto de ver como era a F1 de antigamente, grandes circuitos, gente despojada e muitas outras coisas bem legais. Não sei se um ingresso era tão caro como hoje.

Mas quero usar aqui um texto abaixo, um comentário do jornalista Flavio Gomes e um texto do Michael Moore falando dos carros.


Acho meus sentimentos e toda escrita abaixo se encontraram em 2009, data do texto abaixo e é claro que as empresas abaixo não acabaram e fazem coisas boas também, tem muita gente boa trabalhando nelas (quem sabe no futuro eu não trabalhe em uma delas?).

O artigo abaixo é do Sr. Michael Moore, aquele cineasta que faz ótimos documentários muito críticos ao estilo de vida americano.
*****

ADEUS, GM

Escrevo na manhã que marca o fim da toda-poderosa General Motors. Quando chegar a noite, o Presidente dos Estados Unidos terá oficializado o ato: a General Motors, como conhecemos, terá chegado ao fim.

Estou sentado aqui na cidade natal da GM, em Flint, Michigan, rodeado por amigos e familiares ansiosos a respeito do futuro da GM
e da cidade. 40% das casas e estabelecimentos comerciais estão
abandonados por aqui. Imagine o que seria se você vivesse em uma
cidade onde uma a cada duas casas estão vazias. Como você se sentiria?

É com triste ironia que a empresa que inventou a “obsolescência
programada” – a decisão de construir carros que se destroem em poucos
anos, assim o consumidor tem que comprar outro – tenha se tornado ela
mesma obsoleta. Ela se recusou a construir os carros que o público
queria, com baixo consumo de combustível, confortáveis e seguros. Ah,
e que não caíssem aos pedaços depois de dois anos. A GM lutou
aguerridamente contra todas as formas de regulação ambiental e de
segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os “inferiores”
carros japoneses e alemães, carros que poderiam se tornar um padrão
para os compradores de automóveis. A GM ainda lutou contra o trabalho
sindicalizado, demitindo milhares de empregados apenas para “melhorar”
sua produtividade a curto prazo.

No começo da década de 80, quando a GM estava obtendo lucros recordes,
milhares de postos de trabalho foram movidos para o México e outros
países, destruindo as vidas de dezenas de milhares de trabalhadores
americanos. A estupidez dessa política foi que, ao eliminar a renda de
tantas famílias americanas, eles eliminaram também uma parte dos
compradores de carros. A História irá registrar esse momento da mesma
maneira que registrou a Linha Maginot francesa, ou o envenenamento do
sistema de abastecimento de água dos antigos romanos, que colocaram
chumbo em seus aquedutos.

Pois estamos aqui no leito de morte da General Motors. O corpo ainda
não está frio e eu (ouso dizer) estou adorando. Não se trata do prazer
da vingança contra uma corporação que destruiu a minha cidade natal,
trazendo miséria, desestruturação familiar, debilitação física e
mental, alcoolismo e dependência por drogas para as pessoas que
cresceram junto comigo. Também não sinto prazer sabendo que mais de 21
mil trabalhadores da GM serão informados que eles também perderam o
emprego.

Mas você, eu e o resto dos EUA somos donos de uma montadora de carros!
Eu sei, eu sei – quem no planeta Terra quer ser dono de uma empresa de
carros? Quem entre nós quer ver 50 bilhões de dólares de impostos
jogados no ralo para tentar salvar a GM? Vamos ser claros a respeito
disso: a única forma de salvar a GM é matar a GM. Salvar a preciosa
infra-estrutura industrial, no entanto, é outra conversa e deve ser
prioridade máxima.

Se permitirmos o fechamento das fábricas, perceberemos que elas
poderiam ter sido responsáveis pela construção dos sistemas de energia
alternativos que hoje tanto precisamos. E quando nos dermos conta que
a melhor forma de nos transportarmos é sobre bondes, trens-bala e
ônibus limpos, como faremos para reconstruir essa infra-estrutura se
deixamos morrer toda a nossa capacidade industrial e a mão-de-obra
especializada?

Já que a GM será “reorganizada” pelo governo federal e pela corte de
falências, aqui vai uma sugestão ao Presidente Obama, para o bem dos
trabalhadores, da GM, das comunidades e da nação. 20 anos atrás eu fiz
o filme “Roger & Eu”, onde tentava alertar as pessoas sobre o futuro
da GM. Se as estruturas de poder e os comentaristas políticos tivessem
ouvido, talvez boa parte do que está acontecendo agora pudesse ter
sido evitada. Baseado nesse histórico, solicito que a seguinte ideia
seja considerada:

1. Assim como o Presidente Roosevelt fez depois do ataque a Pearl
Harbor, o Presidente (Obama) deve dizer à nação que estamos em guerra
e que devemos imediatamente converter nossas fábricas de carros em
indústrias de transporte coletivo e veículos que usem energia
alternativa. Em 1942, depois de alguns meses, a GM interrompeu sua
produção de automóveis e adaptou suas linhas de montagem para
construir aviões, tanques e metralhadoras. Esta conversão não levou
muito tempo. Todos apoiaram. E os nazistas foram derrotados.

Estamos agora em um tipo diferente de guerra – uma guerra que nós
travamos contra o ecossistema, conduzida pelos nossos líderes
corporativos. Essa guerra tem duas frentes. Uma está em Detroit. Os
produtos das fábricas da GM, Ford e Chrysler constituem hoje
verdadeiras armas de destruição em massa, responsáveis pelas mudanças
climáticas e pelo derretimento da calota polar.

As coisas que chamamos de “carros” podem ser divertidas de dirigir,
mas se assemelham a adagas espetadas no coração da Mãe Natureza.
Continuar a construir essas “coisas” irá levar à ruína a nossa espécie
e boa parte do planeta.

A outra frente desta guerra está sendo bancada pela indústria do
petróleo contra você e eu. Eles estão comprometidos a extrair todo o
petróleo localizado debaixo da terra. Eles sabem que estão “chupando
até o caroço”. E como os madeireiros que ficaram milionários no começo
do século 20, eles não estão nem aí para as futuras gerações.

Os barões do petróleo não estão contando ao público o que sabem ser
verdade: que temos apenas mais algumas décadas de petróleo no planeta.
À medida que esse dia se aproxima, é bom estar preparado para o
surgimento de pessoas dispostas a matar e serem mortas por um litro de
gasolina.

Agora que o Presidente Obama tem o controle da GM, deve imediatamente
converter suas fábricas para novos e necessários usos.

2. Não coloque mais US$30 bilhões nos cofres da GM para que ela
continue a fabricar carros. Em vez disso, use este dinheiro para
manter a força de trabalho empregada, assim eles poderão começar a
construir os meios de transporte do século XXI.

3. Anuncie que teremos trens-bala cruzando o país em cinco anos. O
Japão está celebrando o 45o aniversário do seu primeiro trem bala este
ano. Agora eles já têm dezenas. A velocidade média: 265km/h. Média de
atrasos nos trens: 30 segundos. Eles já têm esses trens há quase 5
décadas e nós não temos sequer um! O fato de já existir tecnologia
capaz de nos transportar de Nova Iorque até Los Angeles em 17 horas de
trem e que esta tecnologia não tenha sido usada é algo criminoso.
Vamos contratar os desempregados para construir linhas de trem por
todo o país. De Chicago até Detroit em menos de 2 horas. De Miami a
Washington em menos de 7 horas. Denver a Dallas em 5h30. Isso pode ser
feito agora.

4. Comece um programa para instalar linhas de bondes (veículos leves
sobre trilhos) em todas as nossas cidades de tamanho médio. Construa
esses trens nas fábricas da GM. E contrate mão-de-obra local para
instalar e manter esse sistema funcionando.

5. Para as pessoas nas áreas rurais não servidas pelas linhas de
bonde, faça com que as fábricas da GM construam ônibus energeticamente
eficientes e limpos.

6. Por enquanto, algumas destas fábricas podem produzir carros
híbridos ou elétricos (e suas baterias). Levará algum tempo para que
as pessoas se acostumem às novas formas de se transportar, então se
ainda teremos automóveis, que eles sejam melhores do que os atuais.
Podemos começar a construir tudo isso nos próximos meses (não acredite
em quem lhe disser que a adaptação das fábricas levará alguns anos –
isso não é verdade)

7. Transforme algumas das fábricas abandonadas da GM em espaços para
moinhos de vento, painéis solares e outras formas de energia
alternativa. Precisamos de milhares de painéis solares imediatamente.
E temos mão-de-obra capacitada a construí-los.

8. Dê incentivos fiscais àqueles que usem carros híbridos, ônibus ou
trens. Também incentive os que convertem suas casas para usar energia
alternativa.

9. Para ajudar a financiar este projeto, coloque US$ 2,00 de imposto
em cada galão de gasolina. Isso irá fazer com que mais e mais pessoas
convertam seus carros para modelos mais econômicos ou passem a usar as
novas linhas de bondes que os antigos fabricantes de automóveis irão
construir.

Bom, esse é um começo. Mas por favor, não salve a General Motors, já
que uma versão reduzida da companhia não fará nada a não ser construir
mais Chevys ou Cadillacs. Isso não é uma solução de longo prazo.

Cem anos atrás, os fundadores da General Motors convenceram o mundo a
desistir dos cavalos e carroças por uma nova forma de locomoção. Agora
é hora de dizermos adeus ao motor a combustão. Parece que ele nos
serviu bem durante algum tempo. Nós aproveitamos restaurantes
drive-thru. Nós fizemos sexo no banco da frente – e no de trás também.
Nós assistimos filmes em cinemas drive-in, fomos à corridas de Nascar
ao redor do país e vimos o Oceano Pacífico pela primeira vez através
da janela de um carro na Highway 1. E agora isso chegou ao fim. É um
novo dia e um novo século. O Presidente – e os sindicatos dos
trabalhadores da indústria automobilística – devem aproveitar esse
momento para fazer uma bela limonada com este limão amargo e triste.

Ontem, a último sobrevivente do Titanic morreu. Ela escapou da morte
certa naquela noite e viveu por mais 97 anos.
Nós podemos sobreviver ao nosso Titanic em todas as “Flint –
Michigans” deste país. 60% da General Motors é nossa. E eu acho que
nós podemos fazer um trabalho melhor.

*****
Flavio Gomes escreveu:
É difícil não concordar com Moore, que é um sujeito muito eloquente e convincente, embora seja acusado, aqui e ali, de manipular fatos e dados para chegar às conclusões que deseja. Ele não é unanimidade nos EUA e em lugar algum, mas estou entre aqueles que admiram sua tenacidade para mostrar o que acha que está errado e, algumas vezes, apresentar soluções que muitas vezes parecem simplistas e inviáveis sob a luz da racionalidade.

A reflexão que esse texto nos leva a fazer é: qual o futuro desse negócio de que a gente gosta tanto, os carros? Serão eles, mesmo, os grandes vilões da humanidade? Por que, de um dia para o outro, qualquer coisa que tenha rodas e um motor virou um demônio?

Carros sempre foram, desde o início do século passado, quando a Ford os transformou em um produto acessível para qualquer mortal, um símbolo de liberdade e mobilidade. Graças a eles, a raça humana ganhou velocidade para ir de um lugar a outro. Os carros (e seus derivados) encurtaram distâncias, aproximaram pessoas, espalharam o progresso. É impossível imaginar o mundo sem eles.

O tempo foi passando e eles foram deixando de ser apenas um meio de transporte. Ganharam caras e formas, potência e charme. Realizaram sonhos e permitiram às pessoas ver o mundo à sua volta, foram para as telas do cinema, para as páginas dos livros, viraram objetos de culto.

Hoje não são vistos como nada disso, são o Mal esculpido em ferro, plástico e borracha, poluem, engarrafam as ruas, matam, furam a camada de ozônio, causam doenças respiratórias, derretem as geleiras, aquecem o planeta. Exagerando, gostar de carros é como fumar, faz de você um pária da sociedade, as fábricas quase se envergonham daquilo que produzem.

Mas e tudo aquilo que eles sempre foram, não vale mais nada? O prazer de pegar uma estrada com os vidros abertos, de rasgar o asfalto, de se sentir livre para ir aonde quiser ouvindo o murmúrio de um motor, o ronronar dos pneus no silêncio da noite, de se sentir parte dele, isso não conta mais?

As pessoas ainda gostam dos seus carros como eu, por exemplo, que nesta semana estou completamente apaixonado pelo jipinho russo que apareceu na minha garagem? Seremos todos uns foras-de-moda, cafonas e antiquados, condenados aos olhares de censura da modernidade?

Sei lá. Gosto dos meus carrinhos. Vou pegar meu jipinho nesta noite fria, ligar o ar quente e dar uma volta pela cidade. E se alguém olhar feio para ele e para mim, vou fingir que não vi (Jornalista Flavio Gomes)

E eu (Eduardo) também.
 
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